Ai…É O AMOOOOOOOOOOR! (Zezé de Camago & Luciano)

Esse amor, místico, inexplicável, às vezes espiritual, outras apenas físico, mas com uma força capaz de mudar nossos rumos. A idéia não é discutir a magia do amor, mas abordar o amor do ponto de vista bioquímico: os compostos químicos que atuam sobre o nosso corpo e nos transmitem todas as sensações e comportamentos que associamos a esse sentimento.

Semana passada entregamos os “culpados” por nossas “paixonites” e traduzimos quimicamente uns dos sonetos mais famosos de Camões. Descobrimos que o amor não passa de uma série de reações químicas que atuam diretamente no nosso cérebro (confiança, crença, prazer). Se você não leu a primeira parte desse artigo, trate de conferir aqui. E como prometido, seguiremos com a segunda parte da nossa Bula do Amor!


Ah… O AMOR!
Por que acontece? Por que nos sentimos atraídos por determinadas pessoas?

A-há! Mais química! É aí que entram os FEROMÔNIOS, fera! E para entrarmos no clima, sugiro que assistam o videoclipe :-D :

Loove is in the aaaaaair
Looooove is in the aaaaair
Oooooh ooooh oh
Oooooh ooooh oh

Agora sim, estão preparados?

Pessoal, em poucas palavras e biologicamente falando, a escolha do parceiro é um processo que visa garantir a continuidade da espécie, simples assim! Mesmo que nós não pensemos muito nisso, a verdade é que se as escolhas fossem sempre mal feitas, a nossa espécie não teria sobrevivido, certo?

Um exemplo simples: as fêmeas tendem a procurar um macho que garanta o sustento dos filhos, enquanto os machos devem procurar fêmeas com boa capacidade de reprodução. E não é só isso! Um fator muito importante é o perfil genético: a nossa “cara-metade” deve ter os melhores genes possíveis, já que esses genes vão ser passados aos filhos.

Estudos mostraram que todos nós procuramos naturalmente alguém com um sistema imunológico diferente do nosso, para assim conseguir que os filhos tenham o benefício de ambos os sistemas. No fundo, quando nos sentimos atraídos por alguém, pode ser apenas porque gostamos dos genes dessa pessoa…

Pois é, pois é! Os opostos se atraem! E como avaliamos os genes dos nossos possíveis parceiros?

Esse é um assunto que continua fervendo nos laboratórios, mas a química volta a assumir o papel principal! Sabe-se que vários animais, desde os insetos a muitos mamíferos, comunicam entre si através de substâncias químicas conhecidas como FEROMÔNIOS.

Feromônios ou ferormônios (as duas formas estão corretas) deriva do grego pherein (transportar) e de hormon (associado a excitar), ou seja, feromônios são “transportadores de excitação”. Capisci?

De maneira geral, são substâncias químicas que funcionam como “cupidos” entre seres da mesma espécie, permitindo-os reconhecerem-se, mutuamente e, digamos assim… sexualmente. Os feromônios podem agir como atraentes sexuais, marcadores de trilhas, propiciar comportamento de agregação, alarme, dispersão, entre outros.

O primeiro feromônio isolado (1961) recebeu o nome de bombicol (Fig. 1), por ser a substância utilizada pelas fêmeas do bicho-da-seda (bombix mori) para atrair os machos.

Desde a década de 70, os feromônios têm ganhado considerável interesse, como alternativa frente aos inseticidas convencionais e têm se tornado uma área importante dentro da química, principalmente da química de produtos naturais. Os feromônios são únicos para cada inseto, ou seja, cada espécie possui o seu próprio “código” de comunicação baseado nas diferenças estruturais dos compostos, ou na proporção desses compostos.

Isto é necessário para que na natureza não haja reprodução ou qualquer interação entre indivíduos de espécies diferentes. Uma diferença estrutural que está relacionada com a atividade biológica desses compostos é a quiralidade da molécula, por exemplo: a broca-do-tronco-da-pereira, responde à mistura de 65% do isômero (S)-sulcatol e 35% do isômero (R) e não responde a nenhum dos isômeros separados (S) e (R) (Fig. 2).

Até pouco tempo dizia-se que os humanos só selecionavam seus parceiros através de estímulos visuais. No entanto, hoje já se chegou mais ou menos a um acordo de que nós também temos a capacidade de distinguir os genes dos parceiros através do cheiro e a visão ficaria em segundo plano.

Uma ilustração para enriquecer nosso post e lembrar que suor masculino está carregado de feromônios

Pelo menos, essa foi a conclusão de um experimento realizado com camisas masculinas usadas. Nessa experiência, um grupo de mulheres foi convidada a cheirar camisas usadas por diferentes homens e escolher a “sua favorita”. A preferência foi sempre por parceiros com perfis imunológicos bem diferentes dos próprios, ou seja, adequados geneticamente.

Algo surpreendente nessa experiência, foi o fato de que as mulheres que tomavam pílula no momento do estudo, demonstraram preferência pelos odores correspondentes ao perfis genéticos idênticos aos seus!

Já foi estudado que as fêmeas de ratos, após engravidarem, preferem a companhia dos pais, irmãos, primos… Embora a comparação deva ser feita com cuidado, é possível que a pílula, que simula os efeitos da gravidez, induza a mulher a preferir a companhia de indivíduos geneticamente próximos, ou seja, a pílula pode induzir a mulher a escolher os parceiros errados!

Outra pesquisa, diz que o suor masculino pode influenciar o humor das mulheres: ele ajudaria a reduzir o estresse, induziria o relaxamento e afetaria o ciclo menstrual. Dizem até que os feromônios masculinos poderiam ser o agente ativo num medicamento que reduziria os efeitos da TPM! Fica a dica: Garotos… mesmo que elas reclamem, vão ao futebol sim! E tragam a camisa suada de presente!

O suor masculino possui alta concentração de androstandienona (Fig.3).

A dúvida que ainda existe é se os humanos possuem um órgão específico para detectar feromônios – o chamado órgão vemeronasal, presente no nariz de vários mamíferos, e têm até quem diga que é o nosso sexto sentido! Apesar de alguns seres humanos apresentarem dentro de seu nariz algo que lembra o órgão vomeronasal, ela parece ser vestigial, sem nenhuma conexão com o cérebro.

No entanto, vemos principalmente na Internet e até em perfumarias e farmácias inúmeras marcas de perfume que anunciam a presença de feromônios na sua composição, por exemplo a androstandienona, garantindo assim a conquista de qualquer homem ou mulher, sucesso na balada e qualquer outro lugar que freqüentar. Bom, ainda acho que esses perfumes “tiro-e-queda” sejam apenas mais uma forma de ganhar dinheiro…

Mesmo que a comunidade científica esteja cada vez mais por dentro do funcionamento dessa “química que respiramos” e que esse tipo de pesquisa possa revolucionar o futuro das relações humanas, a verdade é que nosso método de escolha de parceiros tem sido bastante eficaz, seja ele qual for… Comprovado por uma população de 6,6 bilhões de pessoas!

2.008 casais participam da celebração de um casamento coletivo na cidade de Xiamen (China) para comemorar a chegada do Ano Novo. (Foto: Reuters)

Pra variar você está na biblioteca estudando, ou na lan house checando o fórum OMG, indo pra faculdade, no ônibus… mas de repente seus olhos se encontram… Você disfarça, olha de novo… Sente aquele arrepio, fica vermelho, o coração acelera, as mãos ficam suadas e acaba se entregando.

No primeiro encontro, antes do beijo, a boca fica seca, você fica confuso, não sabe o que dizer, as pernas ficam meio bambas, a respiração difícil e esquece todos os compromissos da agenda. O mundo fica em silêncio enquanto espera aquele telefonema, aquele perfume surge no ar quando a gente menos espera… Quem aqui nunca sentiu algo parecido?

Ah….. A Química é linda!

“Hã??!… A química?!”

É isso aí! A Química! A Química do amor! Todas essas sensações, angústias e prazeres, não passam de algumas reações químicas no nosso corpo. A ciência consegue transformar aquele amor, aquele sentimento inexplicável, aquele fogo que arde e não se vê, aquela ferida que dói e não se sente… em números, equações químicas e estatísticas! Mas fica tranquilo, ainda assim, o amor é lindo! (L)

Amor é fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói, e não se sente,
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer

O amor, segundo estudos desenvolvidos por especialistas, é dividido em três fases e cada fase é governada por substâncias químicas diferentes:

Na primeira fase, conhecida como a “Fase do Desejo”, contamos com a participação dos hormônios sexuais testosterona (Fig. 1) para os homens e estrogênio (Fig.2) para as mulheres. A partir da adolescência, quando estes hormônios começam a circular na nossa corrente sanguínea é que começa a procura por parceiros e nesse instante aquele garoto mala se transforma num príncipe encantado.

É um não querer mais que bem querer,
É um andar solitário entre a gente
É um nunca contentar-se de contente,
É um cuidar que ganha em se perder

A segunda fase é a “Fase da Paixão” e os efeitos colaterais são os mais agressivos: o apetite se vai, ficamos distraídos, longe da pessoa amada surge aquela melancolia, e quando chegamos perto… aqueles arrepios, nervosismo, a respiração fica confusa, sentimos o estômago revirar.

É a fase que pagamos todos aqueles “micos”… Tudo por culpa da noraepinefrina (Fig.3) (ou noradrenalina) que acelera os batimentos cardíacos (excitação), a serotonina (Fig.4) que nos descontrola e causa aquela euforia, e a dopamina (Fig. 5) conhecida também, como hormônio da alegria.

Todas essas substâncias químicas, que agem diretamento no nosso cérebro são controladas pela feniletilamina (Fig. 6) – que o nosso querido-amado-chocolate costuma carregar em altas doses. Fica a dica: Dê chocolate para a pessoa amada e mantenha toda a química do amor sob controle. Só não vale exagerar que o excesso de chocolate pode causar excesso de peso que pode inibir algumas das reações “apaixonantes” hehehe

A feniletilamina é muito importante em todo o processo, pois controla a passagem da fase da paixão para a fase do amor, dessa maneira exerce um grande poder sobre nós, tão poderosa que pode tornar-se viciante. Os viciados em feniletilamina (e seus auxiliares) tendem a ser pessoas instáveis no amor e costumam trocar de parceiro assim que o efeito daquele “combo químico” desaparece.

Esses “viciados em amor” costumam ser infiéis. O maior problema que essas pessoas enfrentam é que o corpo desenvolve naturalmente uma tolerância aos efeitos da feniletilamina, sendo que é necessário “ingerir doses cada vez mais altas” para causar algum efeito. Por isso vai ficando cada vez mais dífcil encontrar um novo amor…

É um querer estar preso por vontade,
É servir a quem vence, o vencedor,
É ter com quem nos mata, lealdade,
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos maizade,
Se tão contrário a si mesmo é o amor?

A terceira e última fase é a “Fase da ligação”, é a fase do enfim“Felizes para sempre!”. Passamos a fase da paixão e agora sim chamados de amor, o amor ‘verdadeiro’. Quem manda nessa fase é a oxitocina (Fig. 7) e a vasopressina (Fig.8).

A oxitocina é conhecida como “hormônio do carinho” ou “hormônio do abraço”. É uma pequena proteína com 9 aminoácidos produzida no hipotálamo. É essa a substância responsável pelo vínculo de afeto entre as pessoas. É produzida depois do orgasmo e é o mesmo hormônio produzido quando as mães amamentam seus filhos. (Fica a dica: Quanto mais sexo um casal praticar, maior será o vínculo entre eles… Tá aí uma “poção do amor” eficiente!)

Dizem que é essa mesma substância que age nos animais facilitando sua interação com pessoas ou outros animais (relacionado ao aumento da confiança).

A vasopressina é conhecida como hormônio da fidelidade. É também uma pequena protéina, constituída por 9 aminoácidos (sendo 8 iguais ao da oxitocina) e está diretamente relacionada ao comportamento monogâmico dos animais.

Estudos em ratos mostraram o seguinte: antes do acasalamento, a relação do macho com as outras fêmeas era uniforme. Depois de um dia de acasalamento (havendo assim produção da vasopressina), o macho fica preso a fêmea e não se aproxima de outras fêmeas, da mesma forma que não permite a aproximação de outros machos. Uma espécie promíscua apresenta poucos receptores de vasopressina no cérebro. (Ah… se esses receptores fossem encontrados em qualquer supermercado)

Todos os animais sentem prazer no sexo, mas é a vasopressina que permite associar esse prazer a características específicas do parceiro, como odor. Para as fêmeas, essa associação é causada pela oxitocina.

O amor foi decifrado, mas e a nossa “alma-gêmea”? Onde está?… Aí é que entram os FEROMÔNIOS!

E esse fica para a segunda parte do nosso artigo! Até semana que vem!